E a geração Harry Potter?

A geração Harry Potter já cresceu? Cresceu e foi ler Stephen King? Pô, cresceu mesmo e foi parar no Dan Brown? Caramba, como esse pessoal evolui! Agora a geração Harry Potter está lendo Crepúsculo!
Uau! Eu fico feliz da vida com essa evolução tão significativa, sabe? Pelo menos as pessoas estão lendo, não estão mais perdendo tempo em frente a uma televisão assistindo Márcia ou Casos de Família. É! O pessoal tá bastante instruído, totalmente injetados de cultura e conhecimento de mundo! A galera anda afiadíssima!

Tem gente tão atrasada nesse mundo que as vezes lê uma placa de trânsito e não entende! Tem quem leia anúncio no jornal e não assimile nada! E meo, pasmem! Existem aqueles que sequer sabem ler (mas existem as excessões em que o cara que não sabe ler sabe mais do que a geração Harry Potter… hum…).

Bom, eu vou assumir algo muito importante aqui. Eu só comecei a gostar de ler nessa vida quando me obrigaram a ler Harry Potter e a Pedra Filosofal. Depois, como boa interessada, li a série toda como boa pré-adolescente que eu era. Só sabia falar disso igual uma matraca-mala-sem-alça e vivia em polvorosa com qualquer assunto ou novidade relacionado ao livro.
O filme então? Nooooooosssa, era quase uma doença! Tomava conta do meu corpo, me possuía, não me deixava dormir! Eu ligava pras minhas amigas e infernizava por que definitivamente o Daniel Radcliff ERA SENSACIONAAAAAAAAAAAAALLL!

Arre! Fase mais chata do caraio, pô! Se lançassem o Harry Potter HOJE eu, simplesmente, odiaria-o-o-o. E COM TODAS AS MINHAS FORÇAS! Mas não consigo mais odiá-lo, pois cresci junto com a obra e tenho apenas carinho por ela, não admiração. Só admiro a escritora J. K.  Rowling pelo sucesso, pela grana e pelo castelo. A obra NÃO.
Eu não tenho capacidade de escrever algo parecido ou melhor, por isso levo minha vida pacata, mas devo admitir que a mente dela é brilhante.

Mas sabe… Li Harry Potter apenas uma vez. Nunca precisei repetir a mesma leitura por falta de compreensão. Reler Harry Potter (e todos os outros que eu citei lá em cima) é uma completa perda de tempo. É o tipo de livro tão simples de entender que apenas basta o filme para refrescar sua memória. Quero ver quem faz uma tese de doutorado com um desses livros… se tiver assunto, ficarei realmente impressionada.

Por que eu com quase 23 anos nas costas vou parar pra ler Harry Potter e a Pedra Filosofal pela segunda vez? Essa atitude não é um pouco retardada?

Ah, eu acho, sabe?

Depois de Harry Potter li muita coisa edificante, importante, interessante, complexa, explicativa, demonstrativa, empírica, artística… e não sinto nenhuma falta desse tipo de literatura de avião.
Eu não preciso nem dizer a minha opinião a respeito desses livrinhos-modinha-adolescente que estão dominando o mundo, né? Que o escritor elabora de acordo com a mentalidade mediana das pessoas e com o que ele sabe que irá vender. Considero 70% dos best-sellers inúteis.

Mas cara… acho feio de mais quem julga algo sem ter ao menos um conhecimento, um argumento pesado para tal. Eu considero muito mais uma pessoa que diz que odeia Eça de Queiróz após ter lido um livro inteiro dele do que o sujeitinho que diz que odeia sem nunca ter deitado os olhos por mais de cinco minutos com atenção num resumo… ou pior, nem se dá o trabalho de assistir um filme a respeito da obra.

Por isso, dou minha palavra que, antes de morrer, vou ler todos esses livrinhos e posso até mudar de conceito a respeito de algum deles, mas sei que vou manter o meu pré-conceito a respeito da maioria.

Vou ser uma velha chata, cri-cri, ignorante e arrogante. Ah, se vou! Pois já sou assim desde que entendi que Harry Potter acabava ali.

ps: Mas não perco neeeeeeeeeeeeeeeem moooooooorta a estréia de Harry Potter nos cinemas esse ano, hein! Ai ai ai aia ia… nem to me aguentando!!!

Uhu, nós crescemos!

Uhu, nós crescemos!

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9 Respostas to “E a geração Harry Potter?”

  1. Denise Says:

    “Não li e não gostei”, disse Davi Arrigucci Jr. sobre Paulo Coelho.
    Permito-me ser preconceituosa, sim, e não perder meu tempo com literatura inútil. A vida é muito curta e a pilha de bons livros que quero ler é enorme! HhHAhAHUAhua…
    Na boa, eu até respeito a geração Harry Potter, pq todo adolescente tem direito de ser sem-noção. O problema é o bando de marmanjos que se limitam a ler esse tipo de livro. Dói meu coração ver tanto tempo e tantas mentes desperdiçados.
    Os best-sellers (e a cultura de massas etc, etc, etc) são a comprovação de que tudo, absolutamente tudo, pode virar dinheiro. Até a imaginação.
    Enquanto uns ganham dinheiro vendendo imaginação, outros conservam suas cabecinhas vazias, pra caber imaginação vendida alheia, né.
    AUHHuahuahau

    Beijocasssss

  2. Denise Says:

    É claro que os bons livros tb são produtos (dói meu bolso lembrar o qto eu gasto com eles! Hehe)… A diferença é que nos bons livros encontramos possibilidades de diálogo e construção das nossas próprias ideias, imaginações e interpretações do mundo.
    🙂

  3. Gabriela Says:

    Denise, você é ótima. Essa frase é realmente o que eu penso: “O problema é o bando de marmanjos que se limitam a ler esse tipo de livro. Dói meu coração ver tanto tempo e tantas mentes desperdiçados.”.

    Marmanjooooooooos!!!

  4. Então é isso: cultura de massa – também conhecida como cultura pop – deve ser considerado algo “retardado” após determinada idade? Ou o problema é só com Harry Potter? Independete da resposta, discordo de você. Não queria cair no clichê de “cada um lê/assiste/ouve o que dá vontade”, mas não tem como evitar. Admiro muito estes senhores da literatura, Eça, Machado, Aluísio e cia, mas não suporto esses caras. O enredo não me prende e a forma de narrativa não desce! Pode ser literatura bonita, bela, que cai no vestibular e os professores/intelectuais idolatram, mas EU NÃO GOSTO. E não li inteiro. Não precisei terminar. Algumas folhadas são suficientes para dizer se o livro será bom ou não.

    Comecei a ler Harry Potter quando era mais novo e desde então acompanhei. A série terminou quando eu já era “marmanjo” e mesmo assim não mudou EM NADA a minha empolgação/curiosidade/tensão durante a leitura. Acrescentou alguma coisa? Não. Concordo com você. Mas se é pra pensar dessa maneira, então é melhor que paremos de assistir comédias românticas, blockbusters e mais uma caralhada de filmes inúteis que tem por aí.

    Leitura é exercício mental. Não importa se a pessoa está lendo Crepúsculo ou Ilíada (que também é difííííícil de ler, hein?). Cada um tem sua paixão; seu gosto. O importante é ler (só não pode ser The Secret! =p).
    Acho ótimo que existam Crepúsculos e Marleys por aí. Estes são os primeiros passos dentro da literatura. Depois… quem sabe não “evoluem”?

    Enfim… É isso. O blog ficou bacana. Bem melhor que o blogger. Agora eu posso colocá-lo nos meus feeds =D

    Beijos!

    P.S.: Código da Vinci, apesar de todos os furos, é muito legal. Mais do que “A Metamorfose” de Kafka =p

    • Gabriela Says:

      A questão é, meu amigo, que eu acredito que as pessoas emburrecem se limitando a este tipo de literatura. Eu usei Harry Potter para ilustrar a questão problemática. Há quem não pare de ler e “estudar” Harry Potter como um débil mental. Assim como aqueles que idolatram “The Secret”.
      Dou muito mais valor aos que lêem algo (o que quer que seja) pois no mundo tem muita gente ignorante que diz apenas “não gosto de ler” e pensa que pode ser inteligente só se baseando no próprio conhecimento de mundo que possue. Bah, isso não basta a ninguém!
      Outro dia eu li Harry Potter, depois fui ler Machado, daí fui ler J. D. Salinger, mais tarde li Paulo Coelho, seguidamente tentei ler Dostoievski (veja bem, TENTEI, o que significa que ainda não tenho elevação intelectual para tal hahaha) e assim vai. O negócio é sempre evoluir, mas no momento em que eu quero APENAS ME ENTRETER eu paro e leio… sei lá… Crepúsculo. Só pra me distrair, entende?
      Essa é a minha visão. Literatura de avião pra alguns momentos e literatura de qualidade, de ensino, que me façam aprender e a pensar a quase todo momento ^^

      Aprendizado é diferente de distração/divertimento.

  5. Gabriela Says:

    Quer mesmo que eu lhe ensine “O Cortiço” ? Além de ser uma das primeiras obras realistas (que você deve conhecer bem as características e que se contrapõe) e naturalistas (naturalista com respeito a base científica da época), o livro trás uma linguagem simples, sintética, pouco utilizada até então. O livro trata as pessoas como animais, trás críticas sociais muito fortes, coisa até então ignorada pelas antigas obras.
    É o típico caso “o homem desenvolve-se no meio onde vive e é vitma deste fardo”. Mais ou menos chamado determinismo. Ali existe a exploração do humano por si mesmo.

    Da minha cabeça sei que é isso, mas existe muito mais a ser explorado, veja esse link todas as características simples e as complexas da obra:

    http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=resumos/docs/cortico

    O que você aprende É MUITO. Mas sem vontade, não se aprende nada. Lê-se Dan Brown. hahaahah

  6. Não, Gabi. Eu não aprendi NADA disso lendo “O Cortiço”. Eu aprendi isso por outros modos. Eu estou falando sobre a leitura DA OBRA, não sobre leitura SOBRE A OBRA.

  7. Vinícius, fazendo uma leitura SUPERFÍCIAL, aí sim você não aprende nada mesmo.

    O livro é pra ser interpretado, estudado, analisado, definhado, sugado, utilizado… tentar arrancar o máximo que existe dentro dele.

    E a questão que eu discuto aqui é exatamente essa. Os livros atuais não tem nada de utilizável para estudos, análises, interpretação e blá blá blá!

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