Arquivo para fevereiro, 2011

Devaneios

Posted in Qualquer coisa, Uncategorized on 28/02/2011 by Gabriela

Eu tenho o costume de observar as pessoas na rua e imaginar como é a vida delas. Eu me admiro por pensar às vezes que eu sou a única que tenho família e amigos bons. Olho os estranhos na rua e matuto na ideia de que, poxa vida, quem são as pessoas que rodeiam esta gente?

Como é impossível saber, eu fico inventando. Pelo estilo, roupa, cabelo, acessórios, sapatos, eu deduzo como é a vida delas.  Faço um grande esforço para tentar ler as mesmas linhas que elas quando estão com livros abertos. Também analiso a maneira como elas conversam, fico tentando imaginar de onde vieram…

Já me deparei com pessoas que eu quis me por frente a elas e estender a minha mão, implorando pela amizade delas, assim como esbarrei em gente que, com toda certeza, eu agarraria pelo pescoço e bateria a cabeça até a morte na parede.

Outro dia peguei o trem em Osasco e lá se vê tipos típicos. Muito me assustei com a presença de uma moça de postura muito ereta, movimentos sutis e elegância quase que natural. A roupa era simples, não tinha maquiagem no rosto, o cabelo estava normal, dividido ao meio. Ao se sentar, era como se pesasse como uma pluma. Ajeitou a bolsa no colo como se fosse um lenço ao se sentar para um jantar. Por fim cruzou as pernas, ergueu levemente o queixo e manteve o olhar fixo na porta a viagem toda, com as mãos unidas trançadas.

Já logo pensei, o que aquela distinta jovem fazia no vagão de um trem em osasco?

Preconceito meu? Acho que sim.

Mas a verdade é  a que criei uma história em minha cabeça para ela. Imaginei que, fosse qual fosse seu meio de condução comum, aquele lhe seria um dia atípico, em que ela deveria pegar um trem para se locomover. Que estivesse a caminho de um curso de idioma fino, italiano, talvez. Senão, estava indo ao encontro de um grupo de discussão de alguma coisa? Arte barroca? hahaha

Ao final do dia se encontraria com o noivo, fino e tão belo como ela, jantariam em algum lugar ele a deixaria em casa.

Vai saber! As vezes a vida dela pode ser um inferno… mas o importante é nunca deixar transparecer!

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