Arquivo para maio, 2011

ANALISANDO: A Vida Sexual da Mulher Feia

Posted in Uncategorized on 29/05/2011 by Gabriela

Eu pego um pouco de trânsito no caminho de volta para a casa, todas as tardes, quando entro no fretado lá na Berrini. Por minhas viagens serem longas e solitárias, sempre busco ler algo que me edifique a alma e a sabedoria. Num dia comum, fui até a banca e vi um livro de capa branca com letras pretas garrafais piscando para mim: “A VIDA SEXUAL DA MULHER FEIA”.

É um livro fininho, pocket, parecia ser engraçadinho pelo texto da contracapa e eu resolvi comprar, mesmo com os protestos da Debora, pensando que aquilo acabaria com a minha autoestima. “Ai, Gabi, você não precisa ler isso!”.

Fazia tempo que eu não gastava meu dinheiro com literatura-de-avião e me surpreendi. Estou um pouco em choque com o que eu li até agora… É inevitável não se teletransportar para a pele de Jucianara, a personagem principal, feia desde a infância e colecionadora de histórias tristes e frustradas com homens incrivelmente terríveis. Pois, veja bem, quanto mais feia a mulher, pior é o tipo de homem que se aproxima delas!

As experiências vividas por ela são tão fielmente descritas… chega a dar arrepio!

Eu que, vira-e-mexe tenho quedas de autoestima e olho para o mundo como se fosse a pior mulher de todas, simplesmente porque meu cabelo está rebelde ou porque não tenho o sapato e a roupa da moda, ou sei lá, acordei me achando parecida com a Pepê ou a Neném, percebi que, na realidade, o buraco é muito mais embaixo…

Alguns trechos:

“Eu sou aquela que muda a cor do cabelo e sempre fica pior, que sai de roupa nova e ninguém repara, que passa festas inteiras fingindo que dança com os amigos, quando na verdade está dançando sozinha…”

“…a mulher feia sempre será descrita como prestativa, simpática, confiável, boa praça, ser humano exemplar e grande companheira.”

“… como mulher feia que era, Aldomara ainda não tinha entendido que a vida amorosa da nossa espécie , e por vezes de todas as mulheres, era feita de epsódios curtos. E não de grandes sequências.”

“Mulheres costumam esconder sua primeira vez no sexo. Com as mulheres feias a tendência é acontecer o mesmo, com uma diferença: no caso delas, é o deflorador quem prefere evitar a divulgação do fato.”

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“Eu era uma mulher feia, com todas as inseguranças e a solidão que minha condição trazia. E antes disso, eu era uma mulher, com todas as inseguranças e a solidão que esta condição trazia. Já tinha visto muitas garotas bonitas sofrendo na mão de seus namorados sem abandoná-los, possívelmente por medo de não conseguirem companhia para o próximo sábado. Comparada com a delas, a minha situação era muito mais grave. Otelo havia sido o único cara que se dispôs a andar abraçado comigo na rua, na frente de quem quer que fosse, e que julgava possível que eu fosse traí-lo a qualquer instante. Se o deixasse, eu não teria realmente com quem sair no próximo sábado. E em todos os outros.”

Bom, eu poderia reproduzir o livro todo aqui, todas as passagens são ótimas e horrívelmente reais, pois você se sente vivendo certas coisas que, meu Deus do céu, te faz pensar no quanto você é realmente linda e encantadora.

Porém, verdade seja dita, a escritora diz que a mulher feia não é uma condição, mas sim um estado de espírito, visto tantas mulheres que consideramos lindas e incríveis estarem comendo o pão que o diabo amassou por homens tão abaixo do nível delas. Por que isso acontece?

Já aviso que o livro não se trata de autoajuda ou de comédia, tampouco traz um biografia, a autora parece colher histórias diversas do cotidiano feminino, mas ajuda a refletir quanto a estas questões de estética. São importantes? É… é relativo.

O final do livro traz depoimentos de mulheres de todo o tipo de beleza, mostrando que os problemas sexuais e de relacionamento são recorrentes… sendo-se bela ou fera.

Por isso, chego à conclusão de que, no fundo, todas temos uma Jucionara dentro de si. Basta dar oportunidade pro dragão se revelar e te deixar pra baixo. hahaha Olha, esse livro me deprimiu, logo mais volto ao normal.

A VIDA SEXUAL DA MULHER FEIA

de Cláudia Tajes

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